A Designers Group Gallery participa pela primeira vez da SP–Arte, em sua 21ª edição, com uma seleção que propõe o diálogo entre arte e funcionalidade. Com curadoria de Ana Scheuer Leão de Moura e Neto Tavares, a galeria ocupa o estande DS12 com uma coleção de 15 obras únicas ou em edições limitadas. Criadas por nove designers e artistas brasileiros, essas peças reforçam a potência narrativa e escultórica do design autoral.
Arte funcional como proposta curatorial
A proposta curatorial gira em torno da arte funcional. Ou seja, são objetos que, além de cumprirem uma função prática, também carregam valor simbólico e expressivo. Com isso, os trabalhos apresentados exploram materialidade, processos artesanais e narrativas visuais que desafiam o convencional. Portanto, cada obra oferece uma leitura original sobre o design contemporâneo.

Destaques da exposição
Entre os destaques da mostra está o Bar Nouveau, que marca a colaboração inédita entre a designer Luisa Attab e o artista Clemilson Saints. A peça articula formas assimétricas e linhas diagonais, combinadas a relevos escultóricos inspirados na fauna e flora brasileiras. Além disso, o acabamento em argamassa branca, aplicado de forma artesanal, confere textura tátil e presença gráfica à peça, que se posiciona entre o design e a arte.
Por outro lado, Rodrigo Zampol estreia no design de mobiliário com a série Ragisména, composta por mesa e banco em bronze fundido. São criações em edição limitada que valorizam a densidade da matéria e a fluidez das formas.

Entre escultura e mobiliário
O artista Eduardo Montani apresenta a poltrona Elemento, sua primeira peça em mobiliário. Até então voltado à cerâmica, Montani leva para o design a mesma abordagem escultórica. Assim, sua criação estabelece um diálogo entre massa e leveza, escultura e função.
Já Gustavo Dias assina a poltrona Lican, inspirada no vulcão Licancabur, no Deserto do Atacama. Com isso, traduz em uma composição bruta e monolítica a força da paisagem andina, equilibrando imponência visual e conforto.

Poética e tradição no design brasileiro
A poltrona São Francisco, de Felipe Rezende, é inspirada nas icônicas club armchairs e smoking armchairs, clássicos do mobiliário francês do pós-guerra. Seu nome faz alusão à curva do encosto, que remete ao formato do delta do rio São Francisco, o Velho Chico.
Enquanto isso, Simone Coste apresenta uma mesa de jantar em vidro que evoca a estética do Hotel Ice, na Suécia. A peça remete a blocos de gelo transparentes, sugerindo leveza e rigor geométrico.
Ainda dentro da proposta escultórica, Bettina Heuer exibe um bufê esculpido em ônix Tanzânia. A peça equilibra densidade e leveza, revelando o potencial expressivo da pedra natural.
Por fim, Maximiliano Crovato apresenta uma luminária de vocação brutalista. Inspirada nas bolas de demolição das décadas de 1950 e 1960, a obra carrega força visual e presença cenográfica.

Uma nova perspectiva sobre o design nacional
A presença da Designers Group Gallery na SP–Arte 2025 sinaliza caminhos inovadores para o design autoral brasileiro. Ao reunir peças que transcendem o utilitário e assumem o design como linguagem artística, a galeria reafirma seu compromisso com narrativas originais e criações sensoriais. Nesse sentido, valoriza não só a técnica, mas também o gesto criativo, o conceito e a memória.
Afinal, o design pode — e deve — emocionar, provocar e transformar. E essa mostra é um convite para olhar com mais atenção para o que é feito no Brasil, com sofisticação, liberdade e significado.
